A inclassificável banda Letuce

O ser humano tem na sua essência a característica de estar sempre procurando definições para as coisas com as quais entra em contato e nessa história de definir tudo, elementos tidos como abstratos passam a ser objetos de definições, inclusive a arte.

Considerando que a música engloba esse nicho artístico, também tentaram defini-la e para isso foram criados os “gêneros musicais” entre os quais estão o jazz, blues, samba, bossa nova, rock, folk, indie, etc… Feitas essas separações entre um estilo e outro, a dificuldade se encontra no seguinte fato: como podemos definir um grupo musical que por si só já se declara inclassificável e diz com clareza que nem eles conseguem descrever o próprio som?! É assim com a banda carioca Letuce, que mesmo sendo complexa para ser definida, tem um som que só assim, sem delongas e descrições, é prazeroso.

Procurando esclarecer um pouco mais sobre a banda – e o nome dela -, o Blog Venturarte entrevistou Lucas Vasconcelos e Letícia Novaes, idealizadores e membros de Letuce.

Antes de começar a entrevista propriamente dita, pedi para que eles entrassem nessa onda de definições e se descrevessem, mas de um modo diferente… Como? Respondendo quem eram Letícia e Lucas antes de Letuce! Para tal pergunta, os dois responderam que “de modo resumido, Letícia era atriz, tinha uma banda de rock, Letícios, e outra de música eletrônica Ménage à Trois. Lucas era músico e fundador da banda Binario, e professor de música de metade do Rio de Janeiro”.

A história de Lucas e Letícia é até mesmo poética: ela quase sempre ia aos shows da banda binário, que eram feitos na praia, e foi em meio a esses shows que Lucas percebeu a presença destacável de Letícia. A aproximação dos dois ficou por conta de uma amiga em comum e logo que eles começaram a se conversar, surgiu uma linda história de amor. Em 2007 os dois, que descobriram que além de amigos em comum também possuíam dons musicais que poderiam ser compartilhados, viram que era muito natural compor juntos e Letuce surgiu por acaso, pois eles nunca tiveram uma pretensão especifica de criar uma banda, mas sim de reunir aquelas composições que haviam feito juntos. “Meu apelido de fotolog era Letuce. Lê ou Let me pareciam muito comum. E como na época o fotolog era o boom do momento, todos me chamavam de Letuce. Em 2007, quando Lucas e eu nos conhecemos através de uma amiga e começamos a compor na mesma hora, nos pareceu normal termos uma banda com nome de Letuce, pois todos já me chamavam assim” contou Letícia. Porém, para ela e Lucas, a banda só se oficializou em 2008, quando fizeram o primeiro show.

No ano de 2009 surgiu a ideia de gravarem um álbum e este seguiu a mesma linha inovadora de Letuce. Intitulado como “plano de fuga para cima dos outros e de mim”, foi o álbum que introduziu o som da banda para um público além daquele que ia aos shows promovidos na Cinemateque, localizado no Rio de Janeiro, promovidos todas as quintas-feiras de modo gratuito.

Em 2012 foi lançado o marco da banda: Manja Perene. Agora o que se procurava era uma linha mais profissional e diferente do primeiro, que foi gravado com o apoio de paitrocínio que financiou estúdio por um dia e equipamentos não muito bons, o segundo álbum foi financiado por meio de crowdfunding, um sistema que permite a arrecadação de dinheiro para a efetivação de projetos através de doações feitas pelo público.

Agora, em pleno segundo semestre de 2013, Lucas e Letícia já estão em fases diferentes (até porque terminaram a relação amorosa e agora focam apenas na profissional) e ambos declaram: é fácil perceber a evolução que houve entre um disco e outro. “Eu nem consigo ouvir nosso primeiro disco. Lucas também não. Que bom que marcou vida de algumas pessoas, também marcou a nossa, afinal, são nossas primeiras músicas juntos… Mas como sabemos do nosso novo potencial, aquilo já está muito distante da gente. Manja Perene foi mais bem elaborado e mais próximo da nossa verve em cena, ao vivo, nos shows” contou Letícia ao Blog Venturarte.

Sobre o esquema de colaboração que há entre os dois para que as músicas saiam do plano imaginativo e passem a alcançar as pessoas, Letícia fez uma analogia um tanto quanto engraçada dizendo que enquanto Lucas é o óvulo, ela é o esperma. Por quê? Segundo ela, “a maioria das composições nasceu de uma ideia minha de letra e melodia, e o Lucas chega e faz os arranjos, mexe nas letras… Isso não é uma regra, mas com a maioria [das músicas] foi assim”. Há algum tempo atrás, numa entrevista ao site do Som Brasil, Lucas declarou que a “Letícia ficava compondo umas letras e umas melodias malucas. E eu, que entendo mais do campo harmônico, transformava aquilo em música” e essa informação, segundo Letícia, ainda procede.

A respeito de futuros projetos, ambos contaram que já tem composições para um terceiro álbum e que este vai vir ainda melhor que os anteriores. “Já estamos compondo para um terceiro disco. Estamos bem animados! Estamos chegando num nível inédito, tanto Lucas e eu, quanto os músicos que nos acompanham… somos muito amigos, todos, estamos sempre juntos, temos admiração um pelo outro, damos palpites, ouvimos,  trocamos muitas ideias musicais e de inspiração. Esse terceiro disco vai vir bonito” declarou Letícia.

Na página da banda é comum ler comentários a respeito da inspiração e da paz que as músicas levam às pessoas. Quando questionados se eles esperavam que um dia a Letuce teria tamanha repercussão, ambos responderam que não… não imaginavam tanta coisa! “Estávamos apenas com muita inspiração e com vontade de fazer, de realizar. Que bom que isso chega nas pessoas. Que bom que não fica só na ideia ou só nos criadores, que bom que se espalha. Uma vitória isso” disseram Lucas e Letícia.

Diante de todas essas informações, é inevitável afirmar que Letuce realmente mudou as vidas dos membros da banda (tanto em termos de vais-e-vens amorosos quanto profissionais) e se a entrevista começou com a pergunta de como eles eram antes da banda, terminou com o seguinte questionamento: quem são Lucas e Letícia depois do envolvimento com Letuce? Ambos responderam de forma clara:  “Eu, Letícia, me tornei mais corajosa. O palco traz isso. E cantar na frente dos outros também. Que audácia, que loucura! Fiquei mais profissional também. O Letuce é uma liberdade, uma loucura, um encantamento, mas é também um lugar de trabalho, que envolve riscos, exigências, prazos, virei adulta total, mas protegi o coração pra ficar sempre tenro. Minha banda reafirmou que o assunto AMOR é pra mim, o assunto mais importante da minha vida. Não só amor romântico, mas todo tipo de amor. Amar levantar, amar dormir, amar sonhar, amar o amor”. Lucas, por outro lado, afirmou que a diferença entre o Lucas pré Letuce e o Lucas pós Letuce está realmente no mundo das produções musicais. “Ter produzido os nossos dois discos me trouxe muito interesse pelo estúdio e pelo processo de criação que envolve gravar, editar, mixar. Hoje trabalho sempre nessa área com outros mil artistas. Levantar um disco, compor uma trilha sonora, isso hoje é boa parte do meu trabalho e foi uma vivência que eu aprimorei com a nossa experiência como banda”.

Letuce já participou de projetos como Música de Bolso, Oi novo Som e Som Brasil e hoje o foco está direcionado à produção do novo álbum.

Mais informações você encontra no  site e no facebook oficial.
Não esqueça de curtir a página do Blog Venturarte e de acompanhar as nossas atualizações 😉

Anúncios

Deixe aqui o seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s