Da tinta à luz! (parte 2)

O Venturarte hoje irá falar um pouco mais a respeito de filmes que foram adaptados da literatura. Duas semanas atrás, o foco foi nas histórias fantásticas de “Senhor dos Anéis”, “Harry Potter”, “As Crônicas de Nárnia” e de “Eragon”. Agora o foco será em histórias mais realistas, considerando-se que dos quatro filmes abordados, todos se passam no nosso mundo.

Uma das principais adaptações, tanto no quesito qualidade quanto no quesito sucesso de público, é a trilogia “O Poderoso Chefão”, onde um único livro deu origem a três filmes, dos anos 1972, 1974 e 1990. O livro, escrito por Mario Puzo em 1969, conta a história de como Don Vito Corleone, chefe de uma das famílias da máfia estadunidense, passou seu legado para o filho Michael Corleone. Mike, o mais novo dos filhos de Don Corleone, era o único que não tinha pretensão de seguir os passos do pai, porém devido a algumas desavenças, que colocaram em risco a vida de sua família, foi obrigado a assumir os negócios da família. No livro, esta é a história contada, com um pequeno intervalo nos capítulos centrais que narram o começo da vida de Don Vito Corleone, antes de levar o nome de sua cidade natal (Corleone) como sobrenome. O primeiro filme é sobre a ascensão de Mike ao poder; o segundo é sobre como estabilizou os negócios da família, na tentativa de torná-la completamente legal perante a lei, em paralelo com a história de como Don Vito chegou à América; o último filme da trilogia de Francis Ford Coppola é sobre os últimos momentos de  Mike como Don da família Corleone, e como ficou o contato com sua família, eventos que não são encontrados no livro de Mario Puzo. Confira o trailer do primeiro filme da trilogia abaixo.

Outra história que ficou mais conhecida pelo filme do que pelo livro foi “Laranja Mecânica”, onde Stanley Kubrick, em 1971, faz uma brilhante adaptação da obra de Anthony Burgess, escrita em 1962. O livro narra as aventuras do delinquente juvenil Alex DeLarge, que vive numa Londres undergroud e distópica, onde a violência e o uso de drogas tomam conta da juventude. Após um assalto mal planejado, Alex acaba sendo entregue à polícia pelos membros de sua gangue e vai para uma espécie de reformatório, onde participa, como voluntário no filme e como parte da punição no livro, como cobaia de um experimento de “lavagem cerebral” para tornar-se um bom cidadão. O problema real está quando o jovem Alex é liberto e volta às ruas: sua família e seus amigos não o querem por perto, nas ruas, encontra as pessoas que o feriram e que querem se vingar, agredindo-o também. É uma história pesada, com muita violência, muito sangue, onde você sente como se houvesse levado um soco no estômago a cada cena/capítulo. O filme chegou a ser proibido em alguns países, inclusive na Inglaterra, onde inspirou vários atos de violências sexuais ao som da adorável canção “Singin in the rain”. Você pode conferir o trailer do filme logo abaixo.

Outra adaptação realizada pelo diretor Stanley Kubrick foi de “O Iluminado”, em 1980, inspirado no livro de Stephen King, de 1977. É a história de um homem contratado para ser caseiro de um hotel na montanha durante o período de neve, em que o local fica completamente isolado do mundo exterior. Jack Torrence permanece por alguns meses no hotel com sua família, e coisas estranhas começam a acontecer. Apesar de estarem completamente sozinhos, Jack Torrence, sua esposa e seu filho começam a ouvir sons de outras pessoas e eventualmente a ver também. Com um tom de fantástico (elementos que não estão presentes no nosso mundo) que pode ser confundido com delírios, o filme começa parecendo um desses filmes para a família, uma comédia leve, mas ao decorrer do enredo, o suspense, às vezes até o terror, vai crescendo de uma maneira enorme. A sensação de claustrofobia aumenta em cada cena, bem como a complexidade da trama. Ao que parece, não foi uma das adaptações mais fiéis, porém teve uma boa repercussão, pois o diretor não mudou muito da essência da história, deixando o mistério presente. Confira o trailer do filme em seguida.

E por último, algo mais recente, o musical “Les Misérables”, musical de 2012, adaptação do clássico da literatura mundial homônimo de Victor Hugo, escrito em 1862. Esta é a história de Jean Valjean, homem humilde, condenado à trabalhos pesados na prisão por roubar pão para comer, que é liberto de sua sentença e começar a fazer de tudo para se reestabelecer. Sabendo que seus documentos de detendo não lhe dariam muitas condições, passou a usar um nome falso e, com o auxílio de um jogo de prata, presente de um padre, está disposto a mudar sua vida completamente. Homem com um coração grande acaba por ser adotar a pequena Cosette e faz o possível para dar à ela a melhor educação que conseguir. Acontece que o oficial Javert suspeita de que Jean Jalvean não é quem diz ser, e passa a persegui-lo, pois se ele usa um nome falso, violou sua condicional e deverá voltar à prisão. Em meio à Revolução Francesa, é uma história de amor, é uma história de liberdade, e uma história de um homem condenado à miséria que conseguiu superar barreiras inimagináveis. O filme passou essa mensagem de maneira brilhante, passando a essência e a emoção através de belíssimas canções e coreografias. Confira o trailer logo abaixo.

Esses são poucos dos muitos exemplos que poderiam ser citados como magníficas obras, tanto literárias quanto fílmicas. Muitas vezes há um preconceito com adaptações de livros para as telonas, devido a algumas más “traduções”, porém deve-se reconhecer que vários filmes são tão brilhantes quanto as histórias de que tiveram origem e que não devem ser menosprezadas. Se puder, o blog Venturarte recomenda a leitura dos livros e o tempo investido para assistir aos filmes. Aguarde, daqui duas semanas, mais sobre cinema só para você!

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