Continue Curioso – Entrevista

Durante grande parte da minha vida ouvi a seguinte frase “escolha algo que goste para ser o objeto do seu trabalho, pois assim será feliz e não terá que trabalhar um dia sequer”. O conselho dos meus pais foi sábio, mas mesmo assim, quando cheguei à fase de fazer escolhas que influenciariam diretamente no meu futuro – inclusive o profissional – me vi numa sinuca: mesmo sabendo com o que eu gostaria de trabalhar, não tinha a menor ideia sobre qual caminho eu deveria seguir.

Em meio a essas incertezas, fiz aquilo que todo adolescente em dúvidas costuma fazer: prestei vestibular para diversos cursos de diversas áreas, dentre os quais estavam jornalismo, publicidade, direito e até mesmo medicina. Passei em tudo (menos Medicina, cof cof) e a minha primeira escolha era a mais difícil: ao invés de eu simplificar e escolher apenas uma opção, TODAS pareciam plausíveis, afinal eu sempre quis ser jornalista já que escrever é algo que eu sempre gostei muito de fazer, sem contar que documentar fatos é uma ideia bem atraente. Quanto à Publicidade? Ah, Publicidade é tão legal, não é mesmo?! Criar peças publicitárias, trabalhar diariamente com a criatividade… E o Direito? Gente, Direito é demais! Peticionar, analisar, julgar, saber das leis e poder participar de todos os fatos cotidianos sabendo se cabe ou não algum processo… Ah, isso é genial!

É… Eu estava perdida! Acontece que o período de matrículas das faculdades estava chegando perto do fim e diante daquela louca vontade de sair logo do ambiente chamado de cursinho que cheguei a apelidar de manicômio estudantil escolhi o curso que, em tese, me daria estabilidade e me abriria diversos caminhos: Direito.

Hoje estou no segundo ano da faculdade e não me arrependo de ter seguido esse caminho… Gosto do curso e passei a me enxergar trabalhando com isso no futuro, mas admito: a sede, o amor e a paixão pelo Jornalismo não me deixou (tanto que hoje estou cuidando de todos os trâmites legais para que eu possa iniciar o curso de Jornalismo em 2014, continuar Direito e ainda assim não perder muito tempo com matérias repetidas e/ou grades que não batem).

Digo com alegria que estou correndo atrás de dois sonhos: conhecer o Direito e trabalhar com o Jornalismo. Quem sabe eu tenha feito o caminho inverso, mas pelo menos, mesmo depois de 2 anos, acordei e percebi que não é só o Direito que vai me dar a oportunidade de ser feliz e de “não trabalhar um dia sequer”.

Se você é (ou não) uma pessoa bem decidida na vida e que vem até o venturarte para ler post’s sobre arte, deve estar se perguntando por que eu contei uma breve história da minha vida sendo que ela está bem longe de ser artística (cabe dizer que eu discordo… dúvidas são sempre bons assuntos para criar arte haha). A verdade é que, por ora, as minhas indecisões realmente não são arte, mas a ideia de que estou correndo atrás da realização dos meus sonhos vai de encontro a um projeto que tem tudo a ver com sonhos, profissões, vocação, felicidade e ARTE!

Continuecurioso é definido como uma web série documental sobre buscas e questionamentos humanos. Os produtores conversam com pessoas que se desprenderam de um jeito convencional de levar a vida pra caminhar em direção ao desconhecido. Documentando a história de sujeitos que deixaram vidas corporativas e profissões convencionais para adentrarem no desconhecido, no mundo daquilo que realmente traz felicidade.
Sei que minha transição Direito – Jornalismo não foge dos padrões normais, mas me inspirei com os relatos contados pela web série e, como sempre (não negando meus instintos jornalísticos), fui atrás das informações direto da fonte e entrevistei, de forma breve e informal (já que não sou jornalista AINDA), uma das diretoras do projeto, a Juliana Mendonça.

 ___________________________

Venturarte:  Quem está por trás do continue curioso?

CC – Juliana Mendonça – diretora da web série – 26 anos – redatora e film maker (graduada em Publicidade e Propaganda, trabalhava fixa em uma agência de publicidade, hoje é freelancer)

Cristiane Schmidt – diretora de fotografia da web série – 26 anos – artista, fotógrafa e film maker (Graduada em Artes Visuais, com ênfase em Fotografia, trabalhava fixa em estúdio de fotografia, hoje é freelancer)

Fora a pequena equipe talentosa que são os amigos e familiares de cada uma.

Venturarte: Da onde surgiu a inspiração para criar uma web série inteiramente voltada à temática ligada às pessoas que largaram suas vidas “convencionais” para irem atrás dos seus sonhos? 

CC – A ideia do projeto surgiu da minha vontade, Juliana Mendonça, e da vontade da Cristiane Schmidt, de falarmos sobre novas maneiras de trabalho e novas maneiras de enxergar o trabalho. As duas como freelancer já estavam vivendo esse caminho profissional pouco conhecido e muitas vezes visto como um plano B. a gente queria saber: tem mais gente seguindo esse caminho desconhecido? Quem são? O que pensam sobre trabalho? Será que é só uma tarefa pra trazer dinheiro e nada mais?

É o que queremos descobrir através dos episódios. Emprego é assunto delicado! Cada um tem sua visão e nós adoramos isso. O que queremos incentivar é o senso de curiosidade e questionamento dentro ou fora de uma empresa. Queremos que as pessoas conversem sobre o que pensam e o que sentem.

Venturarte: As histórias que foram contadas até agora surgiram através da indicação das pessoas que conhecem o projeto?

CC – Até agora fomos atrás de histórias próximas, de pessoas que nós conhecemos.
A primeira que foi uma indicação é o quarto episódio, como o casal jaque e eme (criadores do site Hypeness e “casal sem vergonha), eles se indicaram através do site, mas recebemos muitas histórias e temos a intenção de selecionar algumas pra contar.

Venturarte: Uma coisa em comum dentre todas os vídeos postados no site até agora é que todos os “personagens” deixaram de lado uma vida corporativa para, de alguma maneira, seguirem o caminho da arte (fotografia, arte plástica, moda, criação de sites e culinária). De certo modo, os criadores do continue curioso também tem esse ponto comum? Uma vida corporativa também foi deixada de lado para que a dedicação fosse voltada a criação da web série?

CC – Sim. A web série é um dos nossos projetos. Em paralelo temos outros, separadamente. Ainda trabalhamos para empresas, mas como freelas.
Gostamos de resumir dessa maneira: o que queremos é contar boas histórias sobre pessoas que se questionam profissionalmente. Se elas largaram ou não largaram tudo, não é importante. Procuramos histórias sinceras que mostrem o quanto um trabalho pode afetar a vida pessoal. Nós, por exemplo, quando começamos, estávamos no processo de arriscar algo novo, sair de um trabalho fixo pra começar um trabalho mais autoral. É isso que torna o projeto verdadeiro, pois estamos falando de algo que nós também vivemos. O interessante é que podemos mostrar diferentes pontos de vista. Incentivamos e somos incentivadas ao mesmo tempo.

Venturarte: Na página do face, os comentários das pessoas que dizem “a web série me inspirou” são muito comuns. Era esse impacto que vocês pretendiam causar? Pra além disso, quais são os objetivos gerais do continue curioso?

 CC – Na verdade a gente não tinha pretensão de causar nenhum impacto [risos]. Mas, sim, incentivar, mostrar que é possível de uma maneira positiva é a intenção.

Sobre o objetivo do cc podemos dizer que queremos continuar fazendo episódios cada vez melhores e nos divertindo e aprendendo durante o processo. O desejo é que seja o nosso trabalho em período integral, e pra isso precisamos de parceiros, algo que estamos buscando.

Venturarte: Pra finalizar, por quê o nome “continue curioso”?

 CC – Achamos interessante que as pessoas ouçam suas inquietações internas e cheguem à conclusão do que precisam em determinado momento. Será que jogar tudo para o alto vai resolver tais inquietudes? Ou reclamar timidamente sobre a profissão, ali, entre colegas na hora do almoço, vai dar em algo? As respostas pra essas perguntas são muito particulares. Seria muito bom se cada um parasse pra pensar na própria história e aí, então, questionasse o ambiente de trabalho, a forma de se trabalhar, o próprio chefe etc. Isso é continuarcurioso.

Sem saber muito bem o porquê, entendemos que quando é o próprio destino que tá em jogo ninguém entra pra perder. O avesso das coisas é que descobertas são feitas no trabalho, nas pessoas próximas e principalmente em si mesmo. Não sabemos qual jeito é o melhor ou se existe um jeito certo. Durante o caminho pra achar respostas, o que encontramos foram perguntas e não importa quais foram, o que importa é que a gente ainda segue perguntando.

 ___________________________

Seguir perguntando e continuar curioso: é esse o resumo da história (e do projeto).

Hoje, 26 de agosto, saiu a prévia do episódio que vai contar um pouco da história do “bardo e o banjo” o trio que tem como fundador um jovem que deixou o convencional de lado para se dedicar à música.

Para ver mais vídeos você pode acessar o canal do projeto (nesse link) e saber mais sobre a ideia do projeto através da fan page (nesse link).

Não esqueça de curtir a página do Blog Venturarte para ficar sempre a par das nossas atualizações.

Anúncios

Deixe aqui o seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s