“Real Life Instagram”, por Bruno Ribeiro.

Como não amar uma fotografia?!

Tecnicamente falando, a fotografia é a técnica de criação de imagens por meio de exposição luminosa, fixando-as em uma superfície sensível.

Com o avanço constante da tecnologia e o uso diário dos smartphones, fotografar virou parte do cotidiano até dos amadores e apaixonados pela arte.

E como não pensar no Instagram quando falamos de fotografias?! O aplicativo que desde 2010 vem colecionando usuários de todos os tipos.

Foi pensando nesse universo que Bruno Ribeiro, um publicitário brasileiro, de 35 anos, casado com a canadense Zoe Perry e que, atualmente, mora e trabalha em Londres criou o projeto chamado “Real Life Instagram”. Ele também já morou em Manchester, Madrid, Moscou e Lisboa. Corintiano, diz que sempre assisti aos jogos pela internet, mesmo quando, por culpa do fuso horário, eles passam de madrugada.

Real Life Instagram

Real Life Instagram

O projeto nada mais é do que frames montados em papel cartão, papel celofane e colocados em pontos da cidade. Bruno disse que usa os mesmos materiais que as crianças de Educação Artística usam.

Real Life Instagram

Real Life Instagram

Quando perguntamos para ele o que é o “Real Life Instagram”, Bruno respondeu o seguinte:

“Comecei o projeto nas ruas de Manchester em junho, cidade onde morava antes de me mudar para Londres. Sobre o projeto, acho que tenho dois sentimentos por trás dele: o primeiro é uma homenagem ao Instagram. Acho o app incrível, pela simplicidade do uso e principalmente por trazer a fotografia para nossas vidas cotidianas. Quantos fotos você fazia antes do Instagram? Não vale contar as férias nem festas. E quantos detalhes você realmente observava na sua cidade? No cotidiano das pessoas que passam ao seu lado? Acho que o Instagram trouxe esse olhar para gente. Fez a gente se sentir mais criativo, tentar um ponto de vista bem pessoal, um angulo ou uma foto que antes nunca havíamos pensado em tirar. Acho essa mudança de comportamento incrível. Mas por outro lado, tem um sentimento não tão positivo, para dizer o mínimo, que é nossa obsessão em estarmos conectados. Temos que deixar de olhar ao nosso redor, para checar nossos smartphones a cada 17 segundos? Fico constrangido ao ver em restaurantes casais quase que o tempo todo em seus celulares ou grupos de amigos em um bar que nem parecem amigos, pois passam mais tempo se auto entretendo do que rindo de coisas que já passaram juntos. Serio, um e-mail que talvez chegue é mais importante do que ouvir a historia do seu amigo numa mesa de bar? Talvez esse meu sentimento seja porque sou de uma geração pré-internet. Talvez quem nunca viveu sem o 3G ache isso normal. Por isso, tento de forma bem tímida e íntima, chamar a atenção de pessoas para que a vida pode, e deve, ser vivida com menos tecnologia. Não quero pregar nem dizer que existe apenas uma verdade. Mas se eu fizer a pessoa pensar um pouco a respeito, já fico feliz. Mas se a pessoa também se divertir com a instalação, seja encontrando na rua, compartilhando o blog do projeto ou mesmo fazendo fotos com seus celulares, também fico feliz. Afinal é sempre bom poder quebrar a rotina, trazer o bom inesperado para a vida das pessoas.”

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A criatividade não tem limites mesmo.

Para conhecer o trabalho de Bruno, visitem o blog do projeto “Real Life Instagram” aqui.

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Até a próxima,

Bárbara.

 

 

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Princesas fictícias? Que nada… Eu quero é mulheres reais!

Uma mocinha linda encontra o príncipe. Mas tem um problema: ela é uma plebeia e será rejeitada pela família real. A tal mocinha não desiste – e também não resiste – e acaba se apaixonando. O príncipe também se apaixona pela mocinha e a pede em casamento. Final feliz? Não… Agora aparece algum evento terrivelmente terrível que acaba com a felicidade dos pombinhos! Vais-e-vens, rolo e confusão, felicidades e infelicidades… Depois de diversos altos e baixos, o príncipe consegue casar com a mocinha. Ela vira uma princesa e passa a ser aceita pela sociedade. Eles vivem, finalmente, felizes para sempre (todos em coro: ohhhhhhn!!!)

É ouvindo histórias assim que muitas meninas cresceram. E é com essas mesmas histórias que essas mesmas meninas passaram pra idade adulta acreditando que encontrariam o príncipe encantado. Mas pera lá, pra isso elas precisam ser perfeitas, afinal, a imagem passada pelas princesas da Disney é que todas precisam ser lindas, esbeltas e, claro, cheias de classe.

Ora essa, que imagem mais ultrapassada! As três únicas vezes que vi princesas fora dos padrões foi quando criaram a história da forte e guerreira Mulan, do filme “Mulan”, da amada e independente Tiana, do filme “A princesa e o sapo”, e da corajosa e espiritualizada Pocahontas, do filme que tem o seu nome.

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Mulan, Tiana e Pocahontas.

Confesso que eu fui uma dessas meninas que ouvia as histórias da Disney e me encantava, sonhava e passava horas imaginando quando um príncipe chegaria à minha vida. Graças aos deuses (e aos meus pais, que me ensinaram que eu deveria dar prioridade a minha autossuficiência para, depois, procurar o tal príncipe), eu não cresci acreditando em cavalos brancos, nem muito menos em homens que usam calça justa, roupas engomadas e se mostram como verdadeiros galanteadores.

Não quero pregar um manifesto contra a Disney ou contra a ideia das princesas… Muito pelo contrário: gosto dessas personagens e das histórias magnificas criadas por essa empresa que hoje é conhecida como “fábrica de sonhos”. É que, confesso pra vocês, eu quero ter filhos um dia! Vejo na maternidade uma verdadeira dádiva divina e um dos meus maiores sonhos é poder sentir tudo isso um dia… Mas se eu for privilegiada com a oportunidade de ser mãe de uma menina, admito: não quero que ela cresça rodeada por histórias que pregam essa ideia de que mulher boa é aquela casada com um homem bem sucedido, cheia de classe, tenha certa posição social e que, enfim, seja uma “mulher de família”. Quero sim ler as histórias de princesa pra alimentar a linda fase da infância, mas quero, acima de tudo, mostrar que mulher não é necessariamente dependente de homem e que NÓS podemos ser tudo o que queremos ser (com ou sem as ‘características’ de princesa).

Por que eu estou contando tudo isso? Bom, digamos que eu me deparei com um projeto fotográfico com o qual me identifico muito! Continue lendo e entenda…

Jaime Moore é fotógrafa e mãe. Ela resolveu juntar as duas coisas e fazer um projeto fotográfico criativo que retratasse a sua filha de 5 anos, Emma, “na pele” de diversos personagens diferentes. Jaime começou a procurar referências na internet e se deparou com diversas listas de como vestir uma menina no estilo das princesas da Disney.

Não sei se ela ficou revoltada com a situação (assim como eu ficaria), mas Jaime resolveu fazer algo além de simplesmente criativo: ela ousou tentar algo bem diferente. A fotógrafa passou a procurar mulheres reais e dignas de serem admiradas. Depois de fazer essa procura, Moore colocou a filha na posição de mulheres que inovaram, de alguma forma, a sua época. Coco Chanel, Helen Keller, Amelia Earhart… Todas essas (e mais algumas) foram retratadas no projeto para que a pequena Emma tivesse modelos reais para se inspirar a ser uma mulher inovadora, ousada e independente!

Confira:

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“Esqueça convencionalismos, esqueça o que o mundo pensa de você saindo do lugar; tenha seus melhores pensamentos, diga suas melhores palavras, faça seu melhor trabalho, procurando em sua própria consciência por aprovação. Eu preferiria fazer história a escrevê-la. Falhar é impossível.” – Susan B. Anthony

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“Para ser insubstituível, deve-se sempre ser diferente. a vida não é sobre se encontrar, é sobre se criar. uma garota deve ser duas coisas: quem e o que ela quiser ser.” – Coco Chanel

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“Algumas vezes mulheres devem fazer por elas o que homens já fizeram – ocasionalmente o que homens não fizeram – se firmando como pessoas, e talvez encorajando outras mulheres em direção à independência de pensamento e ação. Alguma consideração foi a razão do meu desejo de fazer o que eu tanto queria fazer” – Amelia Earhart

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“Tenha bons pensamentos. Não pense nas falhas de hoje, mas no sucesso que pode vir amanhã. Vocês se deram uma tarefa difícil, mas vocês conseguirão se perseverarem; você encontrará alegria em obstáculos que virão. Lembre-se, nenhum esforço que fazemos para preservar algo belo é em vão. O que procuro não está lá fora, está em mim.” – Helen Keller

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“Minha família tem mulheres muito fortes. Minha mãe nunca riu do meu sonho sobre a África, mesmo quando todos o fizeram, porque nos não tínhamos nenhum dinheiro, porque a África é o “continente negro”, e porque eu era uma menina. O que você faz, faz a diferença e você precisa decidir que tipo de diferença você quer fazer.” – Jane Goodall

E, claro, nessa seleção de mulheres nas quais Emma pode se inspirar, não poderia faltar ela, a própria Emma (com as considerações feitas pela mãe na legenda da foto).

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“… Deixe de lado as Barbies e princesas da Disney por um instante, e vamos mostrar às nossas meninas as mulheres REAIS que elas podem ser.” – Jamie Moore

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É um projeto digno de elogios e inspirações, não é mesmo?!
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Obs.: Não coloquei as imagens em slideshow, como é o padrão do blog, para a legenda das mesmas ficarem mais legíveis!

Antes de morrer eu quero…

Saltar de para-quedas, conhecer pessoas diferentes a cada dia,  sentir orgulho de algo que fiz,  ajudar alguém de modo significativo,  ter filhos  – e vê-los crescerem -,  viajar e conhecer o mundo (ou pelo menos grande parte dele),  dar amor,  receber amor, ter um cafofo pra chamar de meu, assistir uma apresentação de alguma orquestra coordenada por Hans Zimmer, conhecer Machu Picchu…

O que é isso? Uma legítima sequência de coisas que quero fazer e experimentar antes de morrer! Não, não enlouqueci ainda e isso é apenas uma referência a um projeto fotográfico que surgiu nos Estados Unidos (que conheci por meio do site Pêssega D’oro) e foi idealizado por Nicole Kenney, uma artista que trabalha com certa frequência com temas como mortalidade, conexões humanas e passagem do tempo… Ela é graduada em artes pela Universidade de Notre Dame, o que já diz muito sobre a sua experiência nos ramos artísticos.

O projeto “Before I die I want to” surgiu a partir de uma combinação de pensamentos e fatos aleatórios:
“(1) com a predominância da fotografia digital, Polaroid anunciou que iria parar com a produção dos seus produtos, ou em outras palavras, sua morte. Os filmes serão vendidos até o estoque atual se esgotar, sendo que isso está planejado para 2009. Mais nenhuma câmera seria produzida.
(2) a ferramenta dos “contratos de segurança” são comumente utilizadas por psicólogos quando os mesmos estão tratando pacientes suicidas. Quando os profissionais da área encontram alguém que tem tendência suicida, se eles pedem aos pacientes para darem a sua palavra de que não irão desistir enquanto a ajuda não vir, frequentemente a vítima em potencial escolherá continuar vivo baseado na promessa que fez. […] Esperamos que o ‘before I die I want to’ funcione da mesma maneira. […]
(3) uma parte é um estudo cultural, a outra é encorajar as pessoas a refletirem sobre as suas prioridades e tomarem atitudes em relação aos seus desejos, o ‘before I die I want to’ irá criar um novo diálogo no reino da arte sociológica. O projeto visa pedir às pessoas que pensem a respeito das suas satisfações e objetivos de vida por meio de perguntas que façam o fotografado criar uma espécie de conexão de promessa com o fotógrafo.”

A equipe de fotografia percorreu a Índia, as mais diversas cidades dos Estados Unidos e até mesmo hospitais para conhecer e documentar os desejos mais recorrentes que as pessoas tem antes de morrer.

Quer conferir o resultado? Dá uma olhada:

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Para ver mais fotos você pode clicar aqui

No site também existe um documentário explicando um pouquinho sobre o projeto e você, se entender bem inglês (já que o vídeo está sem legenda), pode vê-lo aqui:


E aí, o que você quer fazer antes de morrer?! 

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O efeito nebuloso de Oefner

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Nebulosas são, segundo o Wikipedia, nuvens cósmicas compostas por poeira, hidrogênio e plasma. Se nos atermos às imagens criadas por elas, percebemos o efeito de que tudo está embaçado e bagunçado (já que não tem uma forma definida).
É nesse sentido que vejo o caminho para o qual a minha vida me levou hoje: nada se define e tampouco é visto e entendido de maneira clara… nebuloso!

É engraçado como a arte consegue se encaixar quase que perfeitamente em cada sentimento que paira sobre nós, sejam eles alegres ou tristes.
Levando em consideração esse “status vitae” no qual me encontro hoje – e, ao que tudo indica, por um bom tempo – acabei enxergando uma projeção da minha vida num projeto chamado “Nebulae”, criado por um suíço chamado Fabian Oefner.
O artista se define como um “investigador curioso, fotógrafo e artista cujo trabalho fica entre o campo da arte e da ciência”, mas os críticos de arte acabam o classificando como “o artista da arte verdadeiramente contemporânea”.
Com projetos inusitados e que possuem sim um quê de ciência, Oefner inova ao utilizar diversos recursos para criar as suas obras de arte…
Para o projeto que leva o nome de “Nebulae”, o fotógrafo/artista/investigador/cientista maluco utiliza fibra ótica, luzes coloridas e, adivinhem… câmeras com alta resolução e uma programação especial para que o obturador capte a imagem desejada (que no caso é a composição dos movimentos das cores).

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No site do artista você pode conhecer outros trabalhos dele e também conferir mais fotos do projeto Nebulae.

Ainda considerando a reflexão a respeito da nebulosidade das coisas, ouso dizer que apesar de todas as lágrimas e indecisões que possam vir a surgir nas nossas vidas, há beleza, há cor e há um quê de esperança. É essa a arte de viver: tentar ver e, de fato, enxergar através das diversas nebulosas que somos destinados a vislumbrar.

Obs.: Desde já peço desculpas pela pessoalidade do presente artigo, mas há situações que um simples artigo como esse se transforma numa espécie de confessionário.

Obs. 2: Infelizmente algumas imagens ficaram pequenas :/ Mas espero que consigam captar o sentido da obra de Fabian.

A realidade do materialismo infantil

Tente voltar por alguns instantes ao seu tempo de criança e, feito isso, imagine a seguinte situação: você está brincando e um homem se aproxima lhe bombardeando com perguntas, quando de repente ele diz “quais são os seus brinquedos favoritos? Pense naqueles sem os quais você não vê graça numa brincadeira. Você me permite fotografá-los?”
Agora, se vendo de frente a essa situação, procure relembrar quais eram os seus brinquedos favoritos e imagine quais teria escolhido. Seriam bonecas, carrinhos, dinossauros, bichinhos de pelúcia ou jogos de tabuleiro?
Gabriele Galimberti é um fotógrafo italiano que viajou o mundo fazendo esse questionamento à várias crianças para poder retratar quais são os brinquedos tidos como essenciais para cada uma delas no seu respectivo “mundo particular”.

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Galimberti ladeado pelos seus “brinquedos” favoritos

Percorrendo lugares como Texas, República da Zâmbia (na África), Indonésia, México, China, Costa Rica, Filipinas e vários outros, Galimberti teve a oportunidade não apenas de retratar o favoritismo das crianças, mas também de perceber a diferença comportamental de cada uma no contexto no qual elas vivem, incluindo elementos como materialismo, desapego, cuidado e até mesmo egoísmo.

Por ter viajado a vários países e  tido a oportunidade de conviver com várias realidades distintas, ao ser questionado por um repórter da “The Times Magazine”,  o fotógrafo disse com propriedade que “as crianças mais ricas são mais possessivas. No começo, elas não me deixavam tocar nos brinquedos delas e eu precisaria de um tempo ainda maior para poder brincar com elas e, assim, fazer o projeto. Nos países mais pobres, foi mais fácil. Mesmo que as crianças tivessem apenas dois ou três brinquedos, elas realmente não se importavam. Na África, a maioria das crianças brinca com os amigos fora de casa.”

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Fotos retiradas do site do fotógrafo.

O idealizador do projeto fotográfico Toy Story disse que percebeu também a influência da profissão dos pais na escolha das crianças. A filha de fazendeiros tem brinquedos ligados à fazenda, o filho do piloto adora aviões… Numa outra análise, também foi perceptível a visão do futuro nas crianças, como no caso da menina que ama jogar Monopoly porque planeja ser uma arquiteta “quando crescer”. Se formos pensar deste modo, fica fácil lembrarmos das vezes que brincávamos dizendo que iríamos ser como nossos pais ou escolhíamos brinquedos imaginando o que faríamos no futuro.

A conclusão de Gabriele, após 18 meses rodeado por fotografias e vivências, foi que as crianças podem mudar e viver em realidades completamente diferentes, mas uma coisa é universal: o que todas querem é brincar! O espírito de criança, seja numa família de classe alta ou numa de classe baixa, é semelhante, pois todas possuem sonhos e gostam de nutrir a imaginação com brincadeiras e brinquedos.

No site do fotógrafo você encontra fotos do “Toy Story” e também de outros projetos.
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